Rio Branco, olhada de cima dos pequenos morros está ficando
vermelha. As bandeiras vão afirmando o que a comunidade comenta nas ruas: pra
prefeito é Angelim.
O secretário estadual de
Saúde, Osvaldo Leal, informou que o Laboratório Central do Estado
(Lacen) já está agendando datas para a realização dos primeiros exames
em funcionários da ex- Sucam (Superintendência de Combate à Malária)
que podem estar contaminados pelo inseticida DDT (Dicloro - Difenil -
Tricloroetano).
Leal explicou que, em entendimento com as
lideranças do movimento "DDT e a Luta pela Vida", num primeiro momento
serão realizados entre 20 e 30 exames em funcionários que estão em
estado mais crítico. Logo em seguida serão atendidos os demais, num
total aproximado de 450 pessoas.
A solicitação para a realização dos exames foi feita durante audiência
pública na Aleac, dia 12 de agosto passado, quando os servidores
doentes informaram para uma platéia estarrecida, que nunca foram
submetidos a exames específicos e que em cerca de 50 casos de morte
nenhum atestado de óbito apontou o envenenamento como causa mortis. O
veneno causa câncer e doençascardiovasculares.
O presidente da Mesa Diretora, Edvaldo Magalhães (PC do B), explicou
que a partir do resultado dos exames, devem ser articuladas ações
conjuntas do Estado, da Aleac e do Governo Federal para reduzir o
sofrimento das vítimas. As instituições, segundo o presidente, devem
formar uma rede de solidariedade.
Os primeiros resultados devem aparecer nos próximos dias. Segundo o
secretário Oswaldo Leal, após a coleta de sangue o resultado será
apresentado em 15 dias. Ele explicou que o exame é 100% eficaz, pois
detecta uma enzima que surge no sangue a partir de sua contaminação por
produtos organoclorados, caso do DDT.
Uma vez constatada a contaminação, as vítimas deverão, primeiro,
procurar tratamento para desintoxicação de maneira a terem uma melhor
qualidade de vida. Em seguida, exigir reparação dos danos, a revisão de
aposentadorias proporcionais e a aposentadoria para os que ainda estão
em atividade.
São muitos os palanques. Cada um montado em conformidade com o arranjo local, nem sempre plugado no olhar mais global.
Eleições municipais são assim mesmo. Enganam-se os que acham que podem enquadrar numa camisa de força as realidades múltiplas e plurais das disputas municipais.
Ali, no município, nem sempre a lógica mais geral dos campos em disputa prevalece. É que no local, a realidade nem sempre bate com o distante, o mais geral.
O fato é que a Frente Popular, pela sua amplitude, conseguiu - em certa medida - compor bem seu intrincado leque de acomodações na disputa local.
Há desconfortos e incompreensões aqui e ali. Nada que comprometa o cerne do projeto. Na verdade paga-se o preço do alargamento do legue de alianças.
Nesta reta final em que as campanhas ganham mais volume e tomam as ruas fica mais nítida a diversidade dos arranjos em cada local.
O camarada põe um adesivo do 13 na capital, mantém o mesmo 13 até chegar no Bujari.
Em Sena vai tratando de arranjar um 22. Se atravessar o Purus, vai sapecar um 11 em Manuel Urbano e se afastar dos companheiros na terra do Mapinguari.
De lá, retoma o treze em Feijó e, atravessando o Tarauacá, bota um 65 para cantarolar a mudança que dá na vista se afastando do 11.
Seguindo viagem encontra uma confusão em Rodrigues Alves e recoloca um 11, separando-se dos companheiros que vão de 13 e mantém o 11 ao chegar à terra dos Náuas - Cruzeiro do Sul. Se passar a ponte do Moa, põe um quinze pra se abraçar com os filhos de Mâncio Lima e não dá nem confiança pro 11.
Tudo isso só no trecho que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, pela BR 364.
Se o mesmo camarada pegar o rumo do Pacífico a história não será diferente.
Sai de Rio Branco com o treze no peito e ali, no Quinari, já põe um 22.
Em Capixaba devolve o treze ao peito até encontrar uma confusão em Xapuri. Lá socialistas do PSB, o 40, não sobe no palanque do13. Assim como o 13 está distante do palanque do 11, que por sua vez está com o 45.
Dali desloca-se a Epitaciolândia, lá camaradas estão com o 40 e companheiros com o13.
Em Brasiléia é tudo parente, 13 no peito. Na divisa em Assis Brasil uns para um lado, com o 13 e outros, do outro, com o 40.
Assim vai se desdobrando a disputa municipal. Com a cara, o jeito e as possibilidades das realidades locais.
E todos terão que ter a maturidade de compreender que não se enquadra numa mesma função tantos catetes e poucas hipotenusas.
A deputada
Perpétua Almeida (PCdoB) lançou no final da tarde desta terça-feira, em
Brasília, a proposta de criação da Frente Parlamentar em defesa dos guardas da
extinta Sucam. Uma quantidade preocupante destes funcionários, - muitos deles
ainda lotados na Fundação Nacional de Saúde - em todo o país convive com
seqüelas irreversíveis atribuídas à exposição aos inseticidas Malathion e DDT.
A
contaminação afetaria cerca de 300 pessoas somente no Acre, onde 40 óbitos já
foram registrados, segundo pesquisa da Associação de ex Guardas da Sucam,
formada por pessoas que trabalhavam borrifando o DDT. Doze deles ficaram
mutilados e onze estão com suspeita de câncer, além de outros 12 que têm
problemas cardiovasculares. No Pará, onde o governo federal sofre ações
judiciais movidas pelas vítimas, o número de caso é superior a 500.
Perpétua
fez circular um documento nos gabinetes e no plenário da Câmara Federal
colhendo as assinaturas de dezenas de parlamentares que representam as bancadas
nacionais. Por sugestão da deputada, as assembléias legislativas do Norte se
mobilizam para levantar o número de casos nos 9 estados da região.
"Começa
agora uma rotina muito intensa por justiça. Em alguns dias, lançaremos a frente
parlamentar. Depois, iniciaremos uma agenda de audiências públicas, para ouvir
vítimas, especialistas e autoridades de vários estados. Enquanto isso, eu estou
pedindo uma reunião com o presidente da Funasa. Infelizmente, é na base da
pressão que muitas coisas acontecem por aqui", disse a deputada.
A intenção
é produzir um dossiê e cobrar as seguintes providências junto ao governo:
realizar exames nos servidores que não apresentam sintomas, assistência total aos
pacientes que ainda lutam contra doenças graves e indenizar as famílias
daqueles que já faleceram em decorrência da intoxicação.
A
Assembléia Legislativa do Acre aparece à frente de todas as iniciativas: a
Comissão de Direitos Humanos da Aleac promoveu visitas aos enfermos
hospitalizados e deve apresentar, em duas semanas, um relatório com propostas de
solução rápidas via parlamento.
Á época, os
guardas da Sucam eram conhecidos como "mata-mosquitos" e combatiam doenças como
dengue, malária e febre amarela sem as proteções recomendadas pelo Ministério
do Trabalho, dentre eles a máscara. Diversos
pesquisadores comprovam os efeitos nocivos do DDT e Malathion.
O veneno
acumula-se no organismo dos seres vivos - no caso do homem na glândula
tireóide, fígado e rim, causando edema pulmonar, câncer, cirrose, doenças
cardiovasculares, distúrbios mentais, tosse, rouquidão dentre outras doenças.
Estes malefícios podem demorar até 30 anos para se manifestar no organismo
humano.
O IBGE fez publicar, neste 29 de agosto, no Diário Oficial da União, as estimativas de população para os municípios brasileiros com data de referência em 1° de julho de 2008.
A partir da data da publicação, os interessados têm 20 dias para interpor a reclamação junto ao IBGE, que, após examiná-las, tem que enviar até o dia 31 de outubro do corrente ano as estimativas definitivas ao Tribunal de Contas da União.
AC
12
00013
Acrelândia
11.987
AC
12
00054
Assis Brasil
5.559
AC
12
00104
Brasiléia
19.829
AC
12
00138
Bujari
6.745
AC
12
00179
Capixaba
8.897
AC
12
00203
Cruzeiro do Sul
76.392
AC
12
00252
Epitaciolândia
13.960
AC
12
00302
Feijó
32.210
AC
12
00328
Jordão
6.333
AC
12
00336
Mâncio Lima
14.387
AC
12
00344
Manoel Urbano
7.405
AC
12
00351
Marechal Thaumaturgo
13.728
AC
12
00385
Plácido de Castro
17.921
AC
12
00807
Porto Acre
14.309
AC
12
00393
Porto Walter
8.562
AC
12
00401
Rio Branco
301.398
AC
12
00427
Rodrigues Alves
13.020
AC
12
00435
Santa Rosa do Purus
4.165
AC
12
00500
Sena Madureira
35.544
AC
12
00450
Senador Guiomard
19.506
AC
12
00609
Tarauacá
33.368
AC
12
00708
Xapuri
14.848
O Acre tem sua população estimada em 680.073 habitantes.
Como se pode observar Rio Branco fica com a maior fatia de população: 301.398 habitantes, ou seja - 44,31%.
A nova estimativa aponta para um leve crescimento da população dos municípios no interior do estado em relação à capital, o que é bom.
Cruzeiro do Sul continua sendo o segundo maior município com 76.392 habitantes. Distante do terceiro colocado, Sena Madureira com 35.544 habitantes.
Tarauacá e Feijó se aproximam de Sena Madureira que poderá perder, em breve, a condição de terceira cidade do estado.
Brasiléia está apenas com 326 habitantes a mais que Senador Guiomard.
Mâncio Lima ultrapassou Porto Acre em apenas 78 habitantes.
Marechal Thaumaturgo, um dos novos municípios demonstra vigor em seu crescimento e se aproxima de Xapuri.
Jordão, um dos municípios mais isolados, aproxima-se em número de habitantes de Bujari, aqui na biqueira de Rio Branco.
É bom estar atento aos números, eles são decisivos na geopolítica acreana quando o assunto é eleição e o olhar já se espicha para 2010.
Na semana passada uma multidão estimada em mais de cinco mil pessoas se espremia na praça da bandeira em Tarauacá para prestigiar o comício de Batista e Jasone com a presença do governador Binho Marques. Falas se multiplicaram até as 11h15min da noite e todos ficaram lá, ouvindo atentos o que os do palanque tinham a dizer.
O que teria ocorrido para que o povo de Tarauacá de forma generosa e solidária se deslocasse de suas casas para prestigiar a política numa boca de noite de quinta-feira? Era a pergunta feita por diversos dos presentes num cochichar frenético durante o comício.
Não é preciso ir longe para compreender o que estar acontecendo em Tarauacá. Em 90 quando Jorge Viana enveredou pela primeira vez numa disputa eleitoral, Tarauacá foi o único município que lhe deu vitória no primeiro e no segundo turno.
De lá pra cá em todas as disputas majoritárias em que a esquerda se colocou unida, no mesmo palanque, Tarauacá nunca negou apoio. A cidade vota de forma progressista há muito tempo. Foi Tarauacá quem ofereceu Nabor Junior responsável pela virada democrática na década de oitenta.
Mas ali também se operou retrocessos quando da divisão do campo democrático e popular. Foi no racha da esquerda que forças conservadoras do município se beneficiaram. Ganharam eleições no equívoco mesquinho dos que, imaturos, não souberam compreender em seu tempo o tamanho do prejuízo que um racha causaria ao povo da cidade mais progressista do Acre.
O tempo a tudo cura e tudo ensina.
Foi no amargo da derrota e na perda esmagadora de grandes possibilidades de vitórias políticas e ocupação de espaços institucionais estratégicos que as principais lideranças da esquerda em Tarauacá iniciaram uma retomada do diálogo. Há dois anos esta reaproximação vem sendo trabalhada. Conversas sinceras, debate aberto e democrático. Autocrítica verdadeira e sem pieguices foram marcas da reconstrução da unidade política nestes longos últimos meses.
O resultado não poderia ser melhor: uma chapa formada por Batista e Jasone.
Ao olhar a fotografia se tem a noção exata do tamanho do esforço e da grandiosidade da decisão tomada. Batista, um militante histórico, construtor dos movimentos sociais em Tarauacá e profundo conhecedor das lutas e dos desejos do povo. Jasone, um médico humanista dedicado, prefeito por duas vezes e conhecedor profundo da vida do povo simples da cidade.
A chapa materializou a unidade reconstruída na sua melhor expressão. Poucos apostavam no grau de maturidade alcançado. A campanha espelha essa grandeza de decisão. Jasone se comporta como se ele fosse o candidato. Batista mostra maturidade e disposição extraordinária no diálogo com amplos setores.
A aliança construída em torno de 10 partidos transformou-a num movimento para além dos campos em disputa no Acre. A cidade abraçou a causa de Tarauacá materializada na chapa Batista e Jasone.
O povo compreende bem o sentido da palavra "unidade", sabe da sua importância e conhece quando a costura é verdadeira. Os agentes políticos é que, vez em quando, atrapalham o povo e ficam a questionar os motivos de suas derrotas.
Saí daquele palanque com a musiquinha da campanha a martelar meu juízo, cheio de satisfação:
Repórter tem que estar atento. Quando acompanha governador
então, a trabalheira é grande. Fotografei a peleja dos meninos que cobriam o
Binho na visita à BR 364.